Por arrastamento
Já lá vão uns anitos desde que comecei a percorrer diariamente a pé o caminho entre a minha casa e a escola que frequento fazendo quase 4 anos por esta altura.
Mas durante esse tempo em que quase sempre recorria a um corta mato que me garantia mais uns minutos especialmente nos dias em que costumava sair atrasado de casa. Acontece que desde há algumas semanas para cá que esse caminho se tornou practicamente intransponivel devido ao crescimento desmesurado de carrascos e silvas. Isto fez com que eu passa-se a usar então o caminho mais longo, que implica atravessar a "aldeia" onde moro pelo interior. Não é necesseçariamente mau, mas não nós esqueçamos que a Atrozela é uma aldeia que apesar de estar a poucos quilometros de centros urbanos como Alcabideche e Cascais, ainda se rege com alguns dos valores das aldeias das beiras interiores, ou seja, temos as habituais velhotas cuscuvelheiras que se empoleiram nos portões ou nas janelas a ver quem passa, a que horas e com quem. E temos tambem os tradicionais velhotes que se aglomeram sentados a falar da vida. Ect...
Bem... foi num destes dias em que eu voltava a pé para casa à tarde que eu realmente me apercebi do vazio que certos velhotes da "aldeia" passam diariamente, ao virar a esquina que da para a minha rua há um grupo de cadeiras, todas alinhadas contra a parede de uma casa e onde
diariamente eu encontro um grupo de velhotes sentados. Verdade seja dita que por vezes encontro por lá alguns intrusos (digamos adultos mais novos) misturados na converseta com os velhotes, mas não consigo passar por lá sem dar um grande "Bom dia!" aos velhotes que se encontram lá sentados, pois para além de me fazer sentir bem e saber que decerto receberei como resposta os bons dias (ao contrario do que pode acontecer com pessoas mais novas), sei que também ao dize-lo os deixo contentes. Porque? Basta passar por eles e olhar para as suas figuras marcadas pelo tempo, figuras já gastas que começam a aperceber-se que há medida que o tempo passa a possibilidade de não haver outro dia aumenta, para pensarmos que não custa nada e sem nos darmos por isso poderá ser a ultima oportunidade de dar os bons dias a pessoas que começam a sentir-se esquecidas. Nunca sabemos o dia de amanhã...e ao olhar para aquelas cadeiras penso que talvez quem ali esta sentado amanhã poderá já não estar. É a ordem e lei da vida, mas quem não sabe se não estarei eu proprio sentado numa cedeira dessas daqui a uns anos a receber o cumprimento de um jovem que estará tal como eu estou diariamente, ocupado com os meus pensamentos e a minha musica, mas que vira a cara e exclama um simples...
"Bom dia!"
Eu gostaria imenso! Voces não?
Mas durante esse tempo em que quase sempre recorria a um corta mato que me garantia mais uns minutos especialmente nos dias em que costumava sair atrasado de casa. Acontece que desde há algumas semanas para cá que esse caminho se tornou practicamente intransponivel devido ao crescimento desmesurado de carrascos e silvas. Isto fez com que eu passa-se a usar então o caminho mais longo, que implica atravessar a "aldeia" onde moro pelo interior. Não é necesseçariamente mau, mas não nós esqueçamos que a Atrozela é uma aldeia que apesar de estar a poucos quilometros de centros urbanos como Alcabideche e Cascais, ainda se rege com alguns dos valores das aldeias das beiras interiores, ou seja, temos as habituais velhotas cuscuvelheiras que se empoleiram nos portões ou nas janelas a ver quem passa, a que horas e com quem. E temos tambem os tradicionais velhotes que se aglomeram sentados a falar da vida. Ect...
Bem... foi num destes dias em que eu voltava a pé para casa à tarde que eu realmente me apercebi do vazio que certos velhotes da "aldeia" passam diariamente, ao virar a esquina que da para a minha rua há um grupo de cadeiras, todas alinhadas contra a parede de uma casa e onde
diariamente eu encontro um grupo de velhotes sentados. Verdade seja dita que por vezes encontro por lá alguns intrusos (digamos adultos mais novos) misturados na converseta com os velhotes, mas não consigo passar por lá sem dar um grande "Bom dia!" aos velhotes que se encontram lá sentados, pois para além de me fazer sentir bem e saber que decerto receberei como resposta os bons dias (ao contrario do que pode acontecer com pessoas mais novas), sei que também ao dize-lo os deixo contentes. Porque? Basta passar por eles e olhar para as suas figuras marcadas pelo tempo, figuras já gastas que começam a aperceber-se que há medida que o tempo passa a possibilidade de não haver outro dia aumenta, para pensarmos que não custa nada e sem nos darmos por isso poderá ser a ultima oportunidade de dar os bons dias a pessoas que começam a sentir-se esquecidas. Nunca sabemos o dia de amanhã...e ao olhar para aquelas cadeiras penso que talvez quem ali esta sentado amanhã poderá já não estar. É a ordem e lei da vida, mas quem não sabe se não estarei eu proprio sentado numa cedeira dessas daqui a uns anos a receber o cumprimento de um jovem que estará tal como eu estou diariamente, ocupado com os meus pensamentos e a minha musica, mas que vira a cara e exclama um simples..."Bom dia!"
Eu gostaria imenso! Voces não?

2 Comments:
depende... algumas pessoas nao merecem. E as que merecem, nao as queremos sentadas a espera que a morte chegue
tas a escrever bem, bem eu imaginome mais sentado na cadiera a frente de um pc e atravez da net me dizerem isso, pork na nossa altura ja é tudo online, mas como nao devo chegar a essa idade nao me preocupo, mas sim senhor fikei impresionado, seviço pulbico k tu fizeste, fica bem bro
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